Origem
“Otaku” (お宅) significa literalmente “sua casa”. No Japão, o uso de pronomes diretos (como “você”) pode soar agressivo ou invasivo, então as pessoas costumavam usar referências indiretas para manter a etiqueta. Essa expressão era muito usada como um tratamento formal ao se dirigir a alguém, mantendo uma distância segura e respeitosa.

De acordo com Volker Grassmuck (em seu ensaio “Otaku: Spirits of a Virtual World”, de 1990), o termo se popularizou por volta de 1980 por jovens que usavam o pronome de tratamento formal para se referir uns aos outros em convenções, o que para muitos soava estranho e indicava dificuldades interpessoais e isolamento social.
Esse comportamento fora de padrão foi observado por Nakamori Akio, em uma série de colunas no Manga Burikko, e descrito de forma pejorativa para descrever fãs “antissociais” obcecados por detalhes de um determinado campo de interesse.
Em 1989 o caso do “Assassino Otaku” onde um homem de 26 anos foi condenado por crimes chocantes, e em sua residência, durante a investigação policial, foi encontrada uma vasta coleção de mangás e vídeos, gerando um pânico moral, deu uma conotação ainda mais negativa ao termo, do qual ainda não se recuperou totalmente.
Japão vs Brasil
Apesar do inicio problemático, nos anos 2000 essa imagem negativa começou a ser deixada de lado para se tornar algo mais amistoso. Um dos motivos, foi a força cultural e econômica que essa subcultura proporcionou após a recessão no Japão, por volta de 1990, tal força que levou as criações animadas e costumes para além das fronteiras.

A partir dessa mudança, ser “Otaku” ainda pode a significar ser um fã desenfreado por qualquer assunto, no Japão, já aqui no Ocidente, e principalmente no Brasil, é um título de orgulho, pelos aficcionados por mangás, animes, novels (livros com história que acompanham imagens no estilo mangá), cosplay e muitas vezes pela cultura Oriental, não somente japonesa, já que esse universo é composto também por obras chinesas e coreanas.
Atualmente
O crescimento da Cultura Otaku no Brasil nos últimos anos tem sido exponencial, transformando o país em um dos maiores mercados consumidores de animes e mangás fora do Japão e da China. O que antes era considerado apenas um nicho, hoje é um fenômeno de massa, impulsionando plataformas de streaming, recordes de vendas e uma forte presença em eventos de cultura pop. (Fonte: Portal G1)

Essa subcultura já passou por tantas adaptações sociais durante os anos enquanto se globalizava, que hoje é abordada em suas próprias histórias, mostrando do ponto de vista Oriental, porém de forma mais suavizada, muitas vezes tendendo para a comédia.
Portanto, a cultura otaku não é mais um segredo escondido em quartos escuros. Ela está nas passarelas de moda, nas trilhas sonoras de grandes filmes e no topo dos serviços de streaming. Ser otaku é, acima de tudo, ter paixão pelo detalhe, em caso de dúvidas de se sentir um Otaku ou chamar um amigo assim, devido ao histórico do termo, veja como se sentem com esse “rótulo”. Esse mundo pode ser maravilhoso para os recém-chegados e podem se surpreender com esses fatos curiosos. Mas se considerar ou não um Otaku fica a critério de cada um.
